Oi Galera, espero que estejam bem! 

Bom, nos últimos textos falamos bastante sobre conhecimento e em como compartilha-lo, transformando o conhecimento tácito em explícito. Para isso, me apoiei no modelo SECI, de Nonaka e Takeuchi, que é o mais clássico de todos.
Apesar do SECI ser o mais conhecido, existe uma imensidão de outros modelos que já forma estudados, criados e testados por outros autores, cito aqui alguns, caso você tenha curiosidade em pesquisar:
  • Modelo Organizational Epistemology
  • Modelo Von Krog e Ross
  • Modelo Boisot I-space
  • Modelo Hansen, Nohria e Tierney
  • Modelo Choo Make-Sense
  • Modelo EFQM
  • Modelo Inukshuk
Cá entre nós: eu tenho pra mim que todos são de alguma forma uma evolução do modelo SECI dos queridos Nonaka e Takeuchi.

Para esse texto eu selecionei dois que eu gosto bastante: Modelo Wiig e ICAS. Preparados? Então vamos lá!


Modelo Wiig

O modelo surgiu em 1993 e, o autor defende que para o conhecimento ser útil ele deve ser organizado. Dessa forma a organização consegue atuar de forma mais inteligente, uma vez que a criação, acumulação e desenvolvimento do uso do conhecimento de qualidade da organização é facilitada.

E, para realizar essa organização do conhecimento é utilizado a rede semântica.

Vish Maria, o que é rede semântica?

Bom vamos lá, a rede semântica nada mais é que uma forma de representar o conhecimento, através dela conseguimos representar diferentes perspectivas para um mesmo conhecimento.

Ah legal Gabi, fiquei na mesma!

Vocês já devem saber que eu sou uma pessoa visual, acredito muito que a representação gráfica facilita a nossa vida, então vamos de exemplo?! 
Para todos verem: fluxograma que inicia com um quadrado escrito “gato”, esse quadro se liga a outro, através de uma flecha, escrito “Mamífero”. Este se liga com outro, através de uma flecha, que está escrito “animal”. Outro quadrado escrito “urso” também se liga ao quadrado “mamífero” através de uma flecha, bem como outro quadrado escrito “baleia”. O quadrado escrito “gato” e o escrito “urso” também se ligam com um quadrado escrito “pelo”.

Bom, percebam que a imagem acima é um fluxograma e sua origem é a palavra mamífero, nele estão ligados Gato, Urso e Baleia, que são animais com características completamente diferentes, mas os três são um tipo de mamífero. Reparem também que, ambos, Gato e Urso estão ligados à palavra Pelo, assim podemos entender que esses dois mamíferos possuem pelo. Por fim, reparem que Mamífero está ligado à palavra Animal, assim entendemos que todo mamífero é um animal.

Uma forma de leitura dessa rede semântica é: O gato, é um mamífero, portanto um animal, que possui pelos. O Urso também é um mamífero e animal que possui pelos. Já a baleia, também é um mamífero, porém ela não possui pelos.


Veja, através da rede, o conhecimento está organizado, esquematizado, disponível, porém para ser usado é necessária uma interpretação.


Bom, agora que vocês sabem o que é rede semântica, vamos voltar para o Modelo. Nele o conhecimento é dividido em Público, Compartilhado e Pessoal e, em todas as camadas o conhecimento pode estar apresentada de forma passiva ou ativa. O que muda, é seu nível de codificação e acessibilidade, que pode facilitar ou dificultar seu compartilhamento. Vamos de imagem novamente?

Modelos ICAS

O Segundo modelo, ICAS ou Adaptative Complex Intelligent System, surgiu como evolução do Modelo CAS. Um exemplo de uso do CAS são as políticas e estruturas organizacionais do Chile, uma vez que 1972 o então presidente Salvador Allende  utilizou do modelo para ser base de sua estruturação.


Segundo Bannet e Bannet (2004) no ICAS, o conhecimento é uma experiência, julgamento, ideias, contextos, informações corretas e nele, as pessoas são agentes que compartilham esses conhecimentos, pertencem a uma hierarquia e são auto-organizáveis. Além disso, o conhecimento é um pré-requisito para realizar ações efetivas de criação de valor para o crescimento e sobrevivência organizacional. Nele a organização é um sistema Complexo e Adaptativo, ou seja, a organização é entendida como uma entidade viva, no qual os agentes que ali atuam são independentes que interagem entre eles.

No modelo existem 8 características emergentes da organização, são elas:
  • Inteligência Organizacional: Capacidade de inovação, aquisição e aplicação do conhecimento
  • Propósito compartilhado: Habilidade de integrar e mobilizar recursos por meio de comunicação contínua em duas vias
  • Seletividade: Filtrar a informação que advém do ambiente externo
  • Complexidade ideal: Equilíbrio da complexidade interna com o ambiente externo
  • Fronteiras permeáveis: Ideias que precisam ser discutidas e construídas
  • Centralização do Conhecimento: Agregar informações importantes da organização, colaboração e alinhamento estratégico
  • Fluxo: Centraliza o conhecimento para dar coerência ao conhecimento organizacional
  • Multidimensionalidade: flexibilidade organizacional que garante que os trabalhadores têm as competências, perspectivas e capacidades cognitivas para resolver problemas

Bora de imagem:


Vamos pensar em um ambiente de Desenvolvimento de Projetos, para tentar facilitar o entendimento do modelo?

Geralmente quando vamos desenvolver algo novo, ou mesmo evoluir um projeto já existente, temos dois papeis muito importantes: 
  • Especialista de negócios: é aquele que compreende as tendências de mercado observando os concorrentes, o comportamento dos clientes, bem como as possíveis legislações;
  • Gerente de produto: é aquele que compreende como as ideias de melhorias repassadas pelo especialista irá afetar nas soluções desenvolvidas pela empresa e como implementá-las no produto.
Juntos, com outros papéis da organização, eles formam a Inteligência organizacional.

Tudo isso deve ser pensado com base em:
  • Propósito compartilhado: compreender em quais produtos as melhorias vão afetar, quais times serão mobilizados, quantas pessoas irão atuar nessa melhoria
  • Multidimensionalidade: equipes multidisciplinares com trabalhadores do conhecimento atuando para desenvolver a melhoria do produto
  • Centralidade do conhecimento: colaboração estratégica entre todos da empresa para saber quais produtos serão afetados, quais tipos de tecnologias são as melhores a serem utilizadas, quais clientes serão afetados, etc.
  • Complexidade Otimizada: compreender se aquela melhoria faz sentido para a evolução do produto, e se ela ajuda a empresa a evoluir para onde ela almeja.
Uma vez racionalizada a oportunidade de evolução ou inovação, a ideia passa por um processo de seleção, realizando alguns questionamentos como: a evolução do produto será desenvolvido? Vale a pena para a empresa desenvolver aquela melhoria? Dessa forma o fluxo ajuda a centralizar o conhecimento e facilita a comunicação e a continuidade necessários para manter a unidade e criar consistência para a inteligência corporativa.

Legal, já pensamos na solução, já olhamos pro negócio da empresa, entendemos que tudo faz sentido. A próxima etapa segundo o modelo são os Limites Permeáveis. O nome não é nada intuitivo, não é mesmo? Mas é nessa etapa que existe uma análise aprofundada, a partir dos diferentes conhecimentos, de como desenvolver essa melhoria. Aqui por exemplo, são envolvidos especialistas e pessoas que irão atuar diretamente no desenvolvimento da nova solução. Ou seja, os “limites permeáveis” são essenciais para que as ideias sejam construídas e os conhecimentos compartilhados. Para isso, é essencial a atuação do “trabalhador do conhecimento” munido de criatividade, senso de complexidade e adequado a mudanças.

Perceberam como esse modelo é ideal para equipes multidisciplinares que estão em constante movimentação e, como faz sentido os agentes (indivíduos que compõem a equipe) serem independentes, cada um com seu conhecimento e sua complexidade, criando uma rede, sendo a própria “corrente sanguínea” da organização e quando juntos, trabalhando em um mesmo projeto, possuem um potencial incrível para unir seus conhecimentos, habilidades e competências (já viram isso em algum lugar?) para criar algo extraordinário, podendo até mesmo ser uma vantagem competitiva para aquela organização.