No mercado corporativo, a Gestão do Conhecimento (GC) frequentemente enfrenta o estigma de ser uma "área de apoio". Para muitos executivos, GC é vista como um centro de custo: um lugar onde investimos recursos para organizar o que já sabemos.

No entanto, em minha jornada profissional recente, decidi inverter essa lógica. A pergunta que norteou meu trabalho não foi "como organizar o conhecimento", mas sim: "como o conhecimento pode acelerar o resultado financeiro da companhia?"

A resposta veio através da metodologia de OKRs (Objectives and Key Results). Abaixo, compartilho como estruturar essa visão para transformar a percepção de valor da área.

O Alinhamento cultural como fundação

Nenhuma estratégia de GC sobrevive em um vácuo cultural. O primeiro passo para o sucesso é garantir que o compartilhamento de informações esteja no DNA da organização. Quando o ato de registrar e disseminar conhecimento torna-se um valor institucional, a barreira da "falta de tempo" começa a cair.

Antes de medir resultados, é preciso legitimar o comportamento. O conhecimento deve deixar de ser um "poder individual" para se tornar um "ativo coletivo".

OKRs: Traduzindo GC para a língua do negócio

O grande erro da Gestão do Conhecimento é criar metas isoladas (ex: "escrever 10 artigos por mês"). Isso não diz nada ao negócio. O segredo está em conectar os objetivos da área aos objetivos estratégicos da empresa.

Em minha experiência, implementamos uma estrutura de desdobramento:

  • Nível Estratégico: Foco em eficiência e satisfação.
  • Nível Tático: Metas que unem o time em torno de um objetivo comum de entrega de valor.
  • Nível Individual: Cada colaborador gere seus próprios KRs, garantindo autonomia e responsabilidade sobre o impacto gerado.

Ao gerir essas atividades com foco em indicadores de performance, deixamos de "fazer tarefas" e passamos a "mover ponteiros" de negócio.

A prova real: Onde a GC vira receita?

A prova de que a Gestão do Conhecimento impacta o lucro aparece quando analisamos o comportamento do cliente. Observamos dois fenômenos claros:

  1. Redução de custo operacional: Clientes que consomem conhecimento estruturado (guias, treinamentos, KCS) geram menos demanda de suporte para dúvidas básicas. Isso libera o time técnico para focar em problemas complexos e reduz o custo por atendimento.
  2. Diferencial competitivo em vendas: Quando a estrutura de educação e conhecimento da empresa é apresentada ao mercado, ela se torna um argumento de venda. O cliente não compra apenas um produto ou serviço; ele compra a segurança de que terá o conhecimento necessário para extrair o máximo valor daquela solução.

O futuro: A camada tática

O amadurecimento dessa metodologia não acontece do dia para a noite. Após consolidar a cultura e os OKRs individuais, o próximo passo é o refinamento dos OKRs táticos. Essa camada é fundamental para unificar os esforços do time, garantindo que todas as frentes de trabalho estejam remando na mesma direção estratégica.

Conclusão 

Gestão do Conhecimento só é custo para quem a enxerga como uma biblioteca. Para quem a enxerga como uma engrenagem de eficiência e vendas, ela é um dos maiores ativos de geração de receita de uma empresa moderna.